segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por trás do véu

Nesta segunda feira na França foi proibido o véu islâmico integral nos espaços públicos. Com essa decisão o país se tornou o primeiro na Europa a impedir esta indumentária. A medida entrou em vigor após polêmicos debates sobre o islã, laicismo e a imigração, impulsionados pelo governo do presidente Nicolas Sarkozy.
Estima-se que no país 6 milhões de pessoas são mulçumanas, e fontes oficiais revelam que cerca de 2.000 mulheres usam o véu integral. Muitas dessas mulheres são francesas convertidas a religião mulçumana, o que torna esta prática incoerente com o preceito islã.
A multa prevista para o descumprimento da ordem será de 150 euros e os maridos ou concubinos que obrigarem suas esposas a usar o véu poderão ser condenados a um ano de prisão e a 30.000 euros de multa.
A decisão gerou polêmicas e discussões de cunho político e social. Nesse aspecto, os críticos dizem que esta iniciativa seria uma tentativa de agradar o eleitorado de extrema direita e desviar a atenção dos problemas econômicos vividos pela nação. Também há um embate com a definição de estado laico que define-se como aquele que não possui uma religião oficial, mantendo-se neutro e imparcial aos temas religiosos, o que torna a medida algo incoerente.
A justificativa do governo se baseia na segurança e na política de imigração, mas é facilmente questionável que por trás de tudo isso há interesses muito maiores e uma sutil pincelada anti-democrática.
"Esta lei é uma afronta a meus direitos europeus. E a única coisa que faço é defendê-los: ou seja defendo minha liberdade de ir e vir, minha liberdade religiosa", disse Kenza Drider, 32 anos, e usuária do véu a 13 anos.

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