Uma confissão: Não gosto de ouvir não. Não tenho apego por esse advérbio. Sei que se faz necessário seu uso em diversas situações, para inúmeros momentos. Porém na maioria das vezes ouvi-lo é algo um tanto desconfortável.
Ele impõe regras, demarca limites, impede coisas. Uma palavra monossílaba que significativamente é gigante. E apesar de não gostar de ouvi-lo, sei que pode salvar, engrandecer, desafiar, construir um mundo ao seu redor.
O seu poder é convidativo. Dizer um não muitas vezes pode ser excitante, provocar êxtase. Muito mais interessante que ouvi-lo. Não gosto de ouvir, mas houve vezes que amei tê-lo dito.
Sua essência pode ser perigosa. Dizê-lo também pode machucar a alma, assim como pode engrandecer a quem houve. Não gostar de escutá-lo não significa admitir que ele é desnecessário, muito pelo contrário, sem ouvir um não, não se chega a lugar algum.
Certamente diremos e ouviremos tantas vezes no decorrer da vida, que ele se tornará comum. Mas sempre haverá momentos, que seu sentido incomum nos assustará.
E diante da minha confissão, da minha humildade diante desta palavra e por alguns momentos, do meu medo, as dez vezes que citei um não até esse trecho do texto, provavelmente já terei aprendido mais e saído do mesmo lugar.

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